tudo o que eu gostaria era de te ver sorrir, na chuva púrpura.


durante esses cinco primeiros dias de janeiro eu não soube muito bem o que pensar, como agir ou o que esperar. me ausentei um pouco do computador e nem sequer peguei o meu novo diário para escrever algo — mas fiz isso hoje. o que me deu coragem de escrever algo em um dos meus blogs. e escolhi esse porque simplesmente é a parte mais whimsical de mim, e eu tenho sentido essa parte um pouco nesses dias, se desvanecendo. por causa das minhas crises de ansiedade, tudo criativo parece entrar em estado de congelamento ou simplesmente morre.

pois muito bem, eu dormi, tomei muito clonazepam, fiquei pensando parada de como já é outro ano novamente e eu não tenho controle nenhum do passar do tempo. como tudo mudou dentro de mim, mas ao mesmo tempo não, sabe? isso que é assustador. é realmente uma mudança se você está no mesmo lugar de sempre, às vezes, tendo que enfrentar as mesmas coisas de sempre ao acordar? acho que é por isso que eu postergo TANTO o meu sono, mesmo quando eu já não consigo. mas é a única forma de se livrar de gatilhos que só piorariam ainda mais as crises (passei novembro, e principalmente dezembro, tendo MUITAS crises, e como não estou podendo retornar ao psiquiatra, tive que recorrer para pedir clonazepam para minha tia, para ver se ao menos eu caio no sono mais rápido e esse mundo se torne um borrão em que eu não tenha que me preocupar por algumas horas).

esses primeiros dias de janeiro eu tentei assimilar o que foi aquele final de Stranger Things 5, Purple Rain do Prince por todos os lados (detalhe que Purple Rain já me destrói desde uma conferência de Supernatural, que se não me engano foi ano de 2015 ou 2016). eu tenho várias críticas sobre o que foi essa última temporada, que eu já dei aqui, acho que no segundo post que fiz nesse blog. eu queria de fato entrar em cada detalhes de como... eu achei uma verdadeira bomba, mas como a nostalgia é um droga muito forte e poderosa eu continuei vendo em cada estreia (volume 1 em final de novembro, volume 2 no natal e o volume 3 ep final no ano novo), como eu já estava decepcionada com o volume 1, e depois de um natal muito ruim aqui em casa, eu posterguei MESMO assistir o volume 2, só vim assistir quando já estava perto do ano novo. e quando veio o ano novo, eu também posterguei por algumas horas até finalmente vir a coragem de assistir. e, como eu já imaginava, veio a decepção. para mim isso foi como reviver Game Of Thrones final season em 2019. mas, eu gostei do tom agridoce e o final ambíguo que teve. para mim, a Eleven está livre de tudo e todos e de todas as expectativas que colocavam em cima dela. para mim, ela teve um final bem Lucy Gray.  ninguém sabe realmente o que houve com ela, seu paradeiro, se tá morta ou foragida — em ambos os casos, ao meu ver, ela está livre. "amas e o sofrimento daqueles que ela amava", eles continuariam sofrendo ainda mais sabendo que o exército americano estariam na cola dela pelo resto da vida dela. me fez fazer um paralelo com a Ellie de The Last Of Us, que via a possibilidade de seu sacríficio como forma de escapismo, como forma de "curar" um mundo que... não seria curado (nós que somos espectadores, sabemos disso). acho só uma pena que sempre seja personagens femininas que pagam um preço mais alto. sério, eu ainda não consegui engolir aquele body horror (porque para mim foi um body horror) aquelas mulheres grávidas sendo cobaias do governo que  recebiam do sangue da Kali/008 para geraram novos "Vecnas". de todas as coisas que o público ficou perturbado, eu não acho que ficaram perturbados o suficiente com isso. mas claro, poderia ficar aqui e fazer um artigo inteiro sobre a normalização da violência do corpo feminino (principalmente em questões reprodutivas), mas acho que já deu para entender. não atoa, não suportei o hate que deram na Kali, depois dela perder tudo, era óbvio que para ela a única saída seria própria morte. para que ela finalmente fosse livre, mas também ninguém mais tivesse que ser cobaia. acho que já falei muito sobre isso. porque para mim foi a parte principal do que eu realmente notei. eu também desculpo Purple Rain ter sido tocado para um casal hétero, porque sinceramente, nunca vi um casal hétero sofrer tanto para ficar junto e ser tratado como se fosse casal queer  que nem mileven. depois disso eu fui assistir Doctor Who. e não ironicamente o episódio foi " The Eleventh Hour", a primeira aparição do 11º doutor, na quinta temporada. coincidência? claro que não foi. eu tava lamentando a Eleven, claro que ter ido assistir o ep onde aparece o "Eleventh Doctor" foi totalmente proposital. 


como essa pequena imagem demonstra um pensamento interno meu, eu não estou fazendo muito na vida não. tenho estado ansiosa e pensando demais sobre o futuro, ataques de pânico frequentes, e por mais que eu deteste o frio (por motivos de traumas) esse calor abrasante também não está ajudando nem um pouco. blusas de mangas longas e moletons costumam me acalmar (é um tipo de sensação que nunca consegui explicar, nem para meu pai que sempre me infernizou por causa disso, mas me dá a sensação de segurança) acontece que isso tá quase que impossível em um calor absurdo. juro, nem mesmo o ventilador está servindo pra algo, porque não é só o calor em si, mas o abafado, então parece que toda vez que ele tá rodando, você só sente um vento quente. é horrível. então, usar blusas de manga longa, quando eu mais necessito pra me sentir segura tem sido uma missão quase impossível.

então, eu ainda tenho que me preocupar com certas coisas do futuro — vestibular chegando, afinal que ideia de girino é essa de pôr vestibular no início de janeiro???, estou indo fazer porque gastei 90 reais na época porque não consegui a insenção, e ainda não tinha passado para a reopção de curso. e ainda tem isso, irei fazer minha matrícula (depois de ter sido aprovada e classificada) na metade de fevereiro e final de fevereiro começam as aulas. e estarei oficialmente de volta ao ambiente ao acadêmico depois de um ano isolada e lambendo as feridas de tudo o que aconteceu comigo. e eu não sei como me sentir a isso, na verdade sei, mas é uma miríade de coisas que eu nunca paro para pensar. e toda hora eu fico caindo em ruminação que me levam a crises de ansiedade, e que daí, me levam a ataques de pânico. e eu tenho lidado com eles em silêncio porque... eu não aguento mais explicar. eu estou esperando esse resultado de avaliação neuropsicológica há mais de dois meses, e eu realmente, não querendo ser dramática, estou cansada de pedir ajuda. não queria espalhar meu pessismismo no primeiro mês do ano. mas acredito que a pior parte é essa: fazer o que tem de ser feito, hein? talvez o que pareça horripilante agora para minha depressão e ansiedade, se torne comum mais para frente. a questão da não aceitação é que é difícil. e não é como se eu estivesse morrendo de amores pela vida e do que ela têm a oferecer, porque não estou.

para a minha surpresa, uma pessoa com quem vi apenas de passagem em 2024 entrou em contato comigo. e eu fiquei tão surpresa que o que eu fiz foi rir. sim, rir. porque acho incrível que certas pessoas que viveram na minha vida nem sequer fizeram questão de saber como eu estava durante todo o ano de 2025, e o que ainda permaneceram, fizeram questão de dar às costas (figurativamente) e dizendo direto e reto que era problema meu resolver e deixar o passado para trás "porque todo mundo já tinha superado isso" e que agora era tempo de "outras coisas", me afastei delas, mas me surpreendi que essa em questão (da qual não falava muito) me contatou. a única forma que eu fiz foi responder educadamente de volta. mas que definitivamente eu não quero mais nenhuma daquelas pessoas de volta ou perto da minha vida ever again. não parece certo. e ah, como teve um tempo em que eu queria. queria muito.



um minuto de silêncio para apreciar coisas estreladas. em todas as minhas colagens, e desenhos simples, eu faço estrelas. da mais simples mesmo, daquelas que você vê crianças fazendo com crayons (giz de cera). e então eu as recorto e colo por cima de quase tudo. queria deixar isso aqui para um momento de pausa. esse landscape com esssas estrelas douradas para mim é o charme da foto. encontrei no pinterest, como a maioria das imagens que estão nesse post, a propósito.

oficialmente faz um ano em que eu comecei a ter meu "brainrot" em F1. e é claro que tudo começou com Brocedes. vamos ter cuidado para mencionar o nome três vezes sem querer e eles serem invocados. brincadeira lslsls. em dezembro de 2024 e janeiro de 2025 eu comecei a me interessar em mundo dos esportes em geral. tudo por causa de Heated Rivalry que estava lendo na época (e não tinha nem sequer ideia de que seria adaptada, nem sonhava) e então comecei a ter uma vontade em ver hockey. então eram edits de hockey toda hora no meu fy do tiktok. e então, de repente, me deparo com brocedes. e eu nunca poderia imaginar que existia um ship do Lewis fucking Hamilton com Nico Rosberg. e daí, foi só ladeira abaixo, eu realmente comecei a me interessar por F1 (meu avô ama). a próposito, eu fiz um pedido para um card (photocard) do Lewis Hamilton quando ele ainda estava na Mercedes, tanto dele quanto do George Russell (mind you, nunca recebi sksksk e isso faz oficialmente um ano).

de brocedes, eu fui para russtappen (buraco de minhocas saídas diretamente do inferno com tantos ships mlm dentro do esporte — eu nem quero começar a falar sobre como uma das maiores, se não a maior, fanfic dentro do AO3 é literalmente de dois pilotos da F1; Sebastian Vettel e o Mark Webber, cara, isso para mim é insano e o auge do parasocial, eu gosto das brincadeiras e dos memes, mas ver que tem gente que vai a fundo, mas bem a fundo mesmo, me preocupa um pouco). bem, só gostaria de avisar que estou de volta, e claro, George Russell é meu favorito (ele é a Regina George da F1) e fiquei orgulhoso que nesse ano que passou ele conseguiu vencer o circuito de Singapura (uma das mais dfíceis) e o fato de que o Versstappen ficou em segundo me fez arrancar uma risada sabendo dos memes que fazem da rivalidade entre ambos ("unnecessary anger and borderline violence"). e também gostaria de deixar claro que não tenho nenhum sentimento parasocial com nenhum dos citados acima, é apenas algo de fã saudável mesmo. às vezes algumas coisas precisam ser deixado claras. mas não ironicamente, esses tipo de coisas me fazem me sentir alegre, acredita? agora entendo porque meu avô não perde NADA que envolva esportes (ele têm dua tv's, uma em cima do raque para ele ver futebol e outra embaixo enquanto vê a corrida). é o que faz ele se sentir bem. desde que não seja torcida organizada, eu acho legal. vamos ser sinceros que é uma forma de lidar com a vida. tudo é mecanismo de defesa. é o tipo de alienação que faz você querer ficar vivo para ver a próxima partida, comemorar, etc. da mesma forma que eu sinto — e outras pessoas também — com séries, filmes, livros, quadrinhos etc. quem somos nós sem a nossa dose diária de alienação para escapar de uma realidade cruel e feia?


tenho tentado ver algumas coisas mais bonitas do que elas são (não atoa meu outro blog se chama Kalopsia e significa justamente isso: "ver as coisas mais bonita do que elas realmente são"), em meio a tantos problemas de saúde mental, de sentir que ninguém realmente entende o que se passa comigo, essa sensação constante de "impending doom", o desespero que sempre tive de querer ser entendida etc. tudo isso eu tenho me escondido nas minhas escritas borradas em diários, colagens parecendo que foram feitas por uma criança de seis anos de idade, isolamento no quarto etc. meu aniversário está chegando, e cada vez fico mais à míngua, tal qual Bilbo Bolseiro ao dizer que com o passar dos tempos ele se sentia mais como um manteiga espalhado num pedaço grande de pão. é difícil ser uma pessoa funcional, quando você passou sua vida sendo negligenciado emocionalmente, medicamente, psicologicamente etc. isso te faz crescer dentro de ti um tipo de desespero com a vida que é muito preocupante, mas que acaba por ser necessário ter que afundá-la, esconder bem. ninguém quer ouvir os seus problemas, darling. estão ocupados demais lidando com os próprios.

dito isso, as batalhas que me acompanharam para esse mês foi a preocupação pela minha própria vida, o que irá acontecer com ela sendo que não consigo ser funcional — não do jeito que a sociedade espera que seja funcional. vivo mais dentro da minha cabeça que fora, e toda vez que tento viver o de fora, é como se fosse uma ameaça contínua ao de dentro. porque se tenho que viver o de fora, não sobra tempo para viver o de dentro. e assim suscessivamente, pra sempre. 
gostaria de ter trago mais otimismo, mas é meu canto, e eu prefiro que seja a verdade. sabe, o mundo aqui fora é cruel. grande parte dos grande problemas mentais, de saúde mental, vem por causa da realidade que nos cerca e envolve. eu não caio na ilusão da ideia de controle (apesar de ser tão desesperada em querer tê-la), mas que existem coisas que está acima de nós, que... por ser de onde somos, não há muito o que possamos ou podemos fazer. a não ser, é claro, que você tenha a coragem de dar a cara a tapa. infelizmente, em como me encontro, não vejo essa coragem em mim. "it's kinda sad, actually". não desejo isso nem para o meu pior inimigo, e olha que, insconscientemente, acabei juntando alguns ao longo dos anos. 

mas o que me faz ficar feliz em ter um canto próprio é que eu posso reclamar à vontade, ser eu à vontade, sem a necessidade constante de querer ser vista ou de querer provar algo para alguém que nem sequer liga. então. não imagino lugar perfeito. 












    "i never meant to cause you any sorrow
I never meant to cause you any pain
I only wanted one time to see you laughing
I only wanted to see you laughing in the purple rain".

2 comentários:

  1. Oi Aurora! :3

    Adorei a vibe diário que seu blog tem? Queria que meus diários fossem assim (num geral eu sou muito metódica então o design é um pouco repetitivo, hahaha.

    Eu não faço ideia do que aconteceu contigo no passado ou esse ano, mas eu recomendaria que você fosse a um CAPS. É um serviço do SUS com a política "portas abertas", acho que lá você pode ter uma avaliação e uma indicação de medicação mais acertadas para as suas necessidades (e desrecomendo fortemente pegar remédios fortes não prescritos! Embora entendo que foi num momento de angústia, né?)

    Amei as imagens que você usou no post, onde você busca? Peguei algumas inclusive pra usar nas minhas colages!

    Fiquei um pouco na dúvida sobre o que comentar, pq achei seu texto bem pessoal e não me senti a vontade de opinar nas suas emoções, faz sentido? Hahaha!
    Eu amo When Doves Cry do Prince e eu dei um grito a hora que tocou em Stranger Things! Eu adorei a S5 e o final, mas concordo que foi uma temporada que explorou muito a violência e o body horror, mas de uma forma menos explícita. Eu tenho muitas críticas ao biopoder e acho que a temporada mostrou muito isso, mas as pessoas de fato não se sensibilizam. E pensar que a temporada foi escrita e gravada meses antes dos EUA literalmente trasformarem uma mulher negra em encubadora humana, heim?

    Por fim, espero não ter errado seus pronomes nem te incomodado com as sugestões que deixei.

    Beijinhos! :*

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    1. oi Shana, obrigado pela sua visita, gosto muito do seu blog e espero também que esse ano seja mais gentil com você e com todos nós. e obrigada também pela sua recomendação. eu sei muito bem que não deveria estar tomando remédios não pré-escritos, mas como você mesmo apontou foi em momento de desespero e angústia, porque eu não tenho mais receita válida dos remédios oficiais que devo tomar (para atualizar eles eu teria que pagar outra seção, e eu tô guardando dinheiro pra quando eu já tiver com os meus resultados da avaliação neuropsicológica e ter que fazer o retorno) e nesse de ficar sem remédios, me adoeceu demais.

      já fui recomendada ao CAPS, mas nunca soube como ir. falam que é pra ir no UBS mais próximo e pedir o encaminhamento, mas o SUS da minha cidade é tão corrupto, mas tão corrupto, que pessoas literalmente morrem por causa disso. vou tentar ir porque você foi a segunda a me recomendar.

      sobre minhas imagens eu pego no pinterest mesmo ksksksks, eu tenho várias pastas, vou salvando um monte de coisa, ai quando preciso para meus posts, só coloco a url.

      Prince me perdoe, mas o MJ é meu fav (bom deus eles se odiavam sksksks) mas sou muito fã do Prince, principalmente como guitarrista. When Doves Cry eu amooo tmb.

      você ter mencionado o biopoder foi muito interessante. infelizmente, nada nessa temporada eu realmente gostei. depois que vi o documentário foi ai que detestei mais ainda, ao meu ver, e do que já imagivana dos Duffers, eles não aguentavam mais ST. acho que eles queriam se livrar disso logo e não souberam lidar com o prazo. mas enfim, tagarelei kskks.

      não se preocupe, você não errou meus pronomes. eu prefiro pronomes neutros, mas não me importo como me chamam (sou agênero), mas entendo que existe limitação na nossa língua portuguesa, então não precisa se preocupar com isso <333.

      Um grande abraço para você!

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